domingo, 13 de dezembro de 2009

Agricultores terão até 2011 para demarcar reservas legais

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quinta-feira decreto que anistia até junho de 2011 os agricultores que não demarcarem suas reservas legais. Até lá, aqueles que não tiverem delimitado as áreas a serem preservadas em suas fazendas não serão punidos. O decreto atende, em parte, a uma reivindicação dos ruralistas, que lutavam para adiar a vigência da lei que começaria a valer nesta sexta-feira e puniria com multa quem não tivesse de acordo com o Código Florestal .

Esse foi o único ponto alterado pelo presidente, que teve que conciliar interesses do setor ambientalista e do setor ruralista. Entre os ministros que participaram da decisão, alguns queriam um prazo mais longo, enquanto outros defendiam menos tempo. Lula teria escolhido um prazo intermediário.

Segundo o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, 90% dos agricultores estavam fora da lei e, agora, terão tempo e meios para se adequar. O dono de uma terra de até 150 hectares ou quatro módulos fiscais terá a averbação da reserva legal paga pelo governo. Os demais terão de custear o serviço. Todos terão mais facilidade para realizar a delimitação.
Nova regra permite ruralistas usem aparelhos GPS para mapeamento

Antes, o governo exigia que tal mapeamento fosse feito por satélite, o que é muito caro. A nova regra permite que o agricultor use um aparelho de GPS para isso. Os custos desse processo podem chegar a R$ 3.000 para cada 60 hectares mapeados.

- Essa era uma reivindicação do pessoal da agricultura familiar. Eles se queixavam que o pessoal (da fiscalização ambiental) só chegava lá com a caneta para multar e ninguém explicava como fazer - disse Minc.

O ministro rejeitou a interpretação de que o novo decreto é uma vitória dos ruralistas.

" A ideia é que todo mundo entre na legalidade ambiental. Como 90% estão fora, você tem que dar meios "

- Os ruralistas queriam três mudanças: acabar de vez com a obrigação de ter reserva legal, anistiar quem desmatou e regionalizar tudo, para todos os estados fazerem como fez Santa Catarina, que diminuiu a área de proteção dos rios. Nenhum desses três pesadelos prosperou dentro do governo - afirmou.

Minc contou que o presidente foi enfático ao dizer que seu governo não vai acabar com as reservas legais. Ao longo de várias sessões na Câmara, na comissão criada para alterar o Código Florestal, deputados da bancada ruralista argumentaram que nenhum país do mundo obriga produtores a reservarem um percentual de suas terras para preservação.

Segundo o decreto presidencial, quem desmatou as áreas que deveriam, por lei, serem conservadas, terá até o ano 2031 para recuperá-las.

Além de punições e prazos, o decreto cria também o programa Mais Ambiente, que prevê recursos de R$ 100 milhões a R$ 500 milhões para oferecer apoio técnico, educação ambiental e pagamento por serviços ambientais para que pequenos agricultores se legalizem. Eles receberão pagamentos para recuperarem áreas desmatadas e até mudas de árvores nativas para o reflorestamento.

- A ideia é que todo mundo entre na legalidade ambiental. Como 90% estão fora, você tem que dar meios - disse Minc.

Disponível em:
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/12/11/agricultores-terao-ate-2011-para-demarcar-reservas-legais-915154676.asp

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

COP-15

Sugestão de site sobre as notícias da COP-15: http://cop.ambientebrasil.com.br/

Portal Judicial Ambiental terá toda a jurisprudência do STJ sobre meio ambiente

O Superior Tribunal de Justiça será o primeiro tribunal do mundo a disponibilizar sua jurisprudência sobre meio ambiente no “Portal Judicial Ambiental” coordenado pela Comissão Mundial de Direito Ambiental da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). O convênio para a construção do novo Portal foi assinado nesta quarta-feira pelos presidentes do STJ, ministro Cesar Asfor Rocha, e da Comissão Mundial, Sheila Abed.

Cesar Rocha aproveitou a cerimônia de assinatura para anunciar que as primeiras varas federais dedicadas ao Direito Ambiental no Brasil serão instaladas brevemente pelo Conselho da Justiça Federal nos estados do Amazonas, Pará e Amapá. A presidente da Comissão Mundial do Direito Ambiental destacou que a visão e o pioneirismo do STJ na defesa dos direitos humanos, do meio ambiente e da qualidade de vida é um exemplo que deve ser seguido por todos os países do mundo.

Nos últimos 20 anos, o STJ se transformou em peça fundamental na proteção jurídica do meio ambiente no Brasil. São mais de mil decisões de mérito sobre os mais variados temas do Direito Ambiental e sobre todos os biomas brasileiros, como floresta amazônica, mata atlântica, pantanal, cerrado, caatinga e zona costeira.

Todo esse acervo estará disponível no Portal que reunirá legislações, jurisprudências e doutrinas jurídicas das altas Cortes dos países integrantes do Sistema Nações Unidas. O objetivo é subsidiar e capacitar juízes de todo o mundo na aplicação do direito ambiental envolvendo temas relevantes como combate a poluição, proteção da biodiversidade e questões relativas às mudanças climáticas.

Além de manter um atualizado banco de dados de decisões judiciais e de literatura científica, essa iniciativa pioneira também permitirá o intercâmbio de informações entre juízes e o aperfeiçoamento técnico e intelectual da magistratura no campo ambiental. Segundo o ministro Cesar Rocha, essa conjugação de esforços para desenvolver e alimentar um Portal Judicial ambiental é um marco para o Judiciário mundial.

Disponível em: http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=95092
Notícia divulgada em: 09/12/2009 - 19h44